Outra característica importante a salientar é o tipo de taxa praticada. A taxa pode ser de dois tipos:
- Taxa fixa - obrigações deste tipo são vantagosas se, a prazo, as taxas de juro descerem. Isso porque a taxa concordada na data de aquisição irá manter-se sempre até expiração do prémio, e se as taxas descerem a partir da data da aquisição, as obrigações em questão permitirão maiores prémios daí a subida do seu preço no mercado obrigacionista.
- Taxa variável - neste caso o investidor será prejudicado se a evolução das taxas de juro for descendente, pois a taxa com que se iniciou a posição era superior que a prazo. Este tipo de obrigações são compradas por investidores que aguardam subida de taxas de juro. Este processo tem maior probabilidade de acontecer na retoma economica depois de uma queda. A situação actual seria favorável para o investimento nestes activos, pois com o abrandamento da crise actual e um certo "renascimento" da economia mundial é de esperar uma subida de taxas de juros daqui há 3-4 anos.
O maior perigo associado às obrigações é a alteração brusca na conjuntura económica. No caso das obrigações privadas, a falência do emitente levará à perda total do capital investido por parte do investidor. Nas obrigações públicas, o risco associado é menor, no entanto altos níveis de inflação poderão "queimar" ou mesmo "evaporar" o juro.
As obrigações dizem-se activos bastante seguros, no entanto obrigações de muito longo prazo como as de 10% ou 20% são bastante arriscadas. Imagine que um engenheiro sem qualquer conhecimento financeiro adequire obrigações, pois disseram lhe que é uma aplicação segura. O objectivo dele é que até a altura da sua reforma essas obrigações lhe acumulem alguns juros, por isso adequire obrigações públicas (certificados de aforro) com prazo de 20 anos. Na altura de aquisição o país vive um crescimento espectacular com PIB a aumentar mais de 10% ao ano. O engenheiro está muito contente porque quando for para a reforma terá dinheiro suficiente para fazer viagens e acabar a velhice sem problemas financeiros. Mas algo de imprevisto aconteceu - nem os melhores eoconomistas o conseguiram fazer - depois de um crescimento extraordinário, o país onde o engenheiro vive entrou num período de inflação galopante. O que acontece com os rendimentos "seguros" provenientes das obrigações? Eis o que acontece, o engenheiro recebe 5% de prémio por ano (o que é uma taxa bastante elevada para obrigações públicas), mas os preços para os produtos de primeira necessidade sobem 20% no mesmo espaço de tempo, e aí o pobre engenheiro percebe que em vez de ter rendimento garantido durante 20 anos, tem perdas no valor de 15% anualmente. Pobre engenheiro, já não poderá fazer viagens, nem viver a velhice como ele queria.
Em resumo, a aplicação das poupanças em obrigações/certificados de aforro pode ser bastante arriscada. O risco cresce com o prazo - quanto maior o prazo de devolução, mais arriscado é aplicar o capital em obrigações.
Bons investimentos!!!
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